‘Sobre a inconstância da alma selvagem’ 2024,
bianca turner
performance audiovisual
8′, 2024
Festival Arte Serrinha
Este trabalho foi desenvolvido a partir de uma imagem que retrata uma árvore sendo “endireitada”, encontrada na capa do livro A Arte de Prevenir e Corrigir, nas Crianças, as Deformidades do Corpo. O projeto estabelece uma relação conceitual entre essa imagem e as próprias árvores localizadas ao longo da fronteira entre Polônia e Alemanha em 1937 — consideradas entre as árvores mais curvas do mundo.
A obra assume a forma de uma performance audiovisual na qual manipulo imagens de árvores de maneira dramática e expressiva, projetando-as ao vivo. Por meio desse processo, o trabalho explora tensões entre disciplina e resistência, correção e crescimento, controle e devir orgânico. Ao traçar paralelos entre a modelagem forçada dos corpos e a modelagem forçada das paisagens, a performance reflete sobre violências históricas, processos de normalização e a vitalidade persistente daquilo que resiste ao confinamento.
O texto é escrito pelo próprio artista, e a obra é concebida como uma performance audiovisual ao vivo que manipula recortes de papel contendo imagens digitais. O vídeo gravado constitui uma documentação dessa manipulação ao vivo e também pode ser compreendido como videoarte. Dessa forma, a peça evidencia uma sobreposição de linguagens e uma hibridez artística que se tornou uma marca definidora da minha prática artística.
A árvore — ao mesmo tempo símbolo e sujeito — torna-se uma metáfora da alma selvagem: algo que se curva, se adapta e resiste, mas que está constantemente sujeito a tentativas de regulação e alinhamento. A manipulação ao vivo das imagens enfatiza a instabilidade e a transformação, permitindo que a obra se desenvolva como um gesto em constante evolução, em vez de uma narrativa fixa.
CC BY-NC-ND (Atribuição-NãoComercial-NãoDerivado):
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