o vento quente que vem do oriente’ 2025,
bianca turner
instalação audiovisual
11′, loop, 2025
‘desaparição’ é uma ação multimídia, visual e sonora, de 12 minutos.
A ação consiste em : sobrepor as imagens projetadas de um retroprojetor antigo e de um projetor HD short-throw em uma parede branca.
Do projetor, a imagem projetada é um plano sequência 360 graus, de 12 minutos, filmado em 89 fps, 6k, no cemitério Dom Bosco em Perus (SP).
No retroprojetor, desenho em acetato com caneta permanente, por cima da imagem filmada em Perus, e em diálogo com ela.
Escritos, memórias, horizontes… tento desenhar o não-visto, uma sugestão do invisível, do que desapareceu. Do que não é visto mas está presente.
Onde se é desenhado, o preto da caneta impede a luz do retroprojetor de “lavar” a imagem, permitindo assim que seja vista; é como uma “escavação” da imagem, uma busca em ver o que não se vê.
No início da imagem, não se percebe que é um cemitério, pois metade do gramado do cemitério não possui cruzes, o que também sugere a presença de corpos enterrados clandestinamente, e faz com que, na primeira metade da ação, a paisagem de cemitério seja quase imperceptível.
Na segunda parte do vídeo, quando a câmera vira ao outro lado, podemos perceber cruzes, e neste momento, somado ao som ambiente do cemitério, que inclui muitos pássaros, há uma sobreposição de vozes, que propõe uma ‘fantasmagoria’.
A intenção da instalação sonora quadrifônica (surround 4.1) é trazer uma espacialização imersiva. A sonoridade consiste em sobreposições da entrevista com Carla Borges, com dados históricos do cemitério de Perus, com vozes de pessoas (sugerindo vozes dos desaparecidos), e sons de pássaros (som captado no cemitério).
Os traços e desenhos em acetato tentam acompanhar a imagem em movimento, que sugere também a rotação da Terra, e a efemeridade. Todos os acetatos são por fim sobrepostos no retroprojetor, permitindo que a imagem do cemitério seja vista por completo.
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