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‘coreografias da cruz’, 2024

‘coreografias da cruz’ 2024-2026,
​bianca turner

imagens geradas em IA  (runway gen3 e adobe firefly)
2′, 2024-2026

'coreografias da cruz', 2024-2026

A partir do trabalho com imagens recolhidas no Arquivo Histórico Ultramarino em 2023, passei a investigar com mais atenção a iconografia colonial e suas persistências. Um aspecto que me chamou particularmente a atenção foi o modo de acesso ao acervo: as imagens só podiam ser solicitadas por meio de suas descrições, o que me remeteu diretamente à lógica dos prompts atualmente utilizados em ferramentas de inteligência artificial. Percebi ali uma analogia entre o processo de produção das gravuras coloniais — muitas vezes criadas por artistas a partir de descrições, sem contato direto com os territórios retratados — e os modos contemporâneos de geração de imagens por IA.
Coreografias da cruz (2024), parte de descrições contra-hegemônicas — que fabulam outras narrativas possíveis para o episódio da Primeira Missa no Brasil — para gerar imagens por IA, tensionando o imaginário fixado pela tradição colonial e religiosa.

Essa pesquisa estabelece um paralelo entre os processos históricos de produção imagética e os atuais sistemas de geração por IA, evidenciando como ambos se baseiam em descrições textuais para construir imagens e como, hoje, essa lógica é atravessada pela hegemonia algorítmica na produção visual.

Nesse contexto, são abordadas problemáticas como a expropriação cultural enquanto mecanismo de controle, a fetichização de objetos, a construção de mitos fundadores e o papel da engrenagem museológica na legitimação dessas narrativas.

A representação da “Primeira Missa no Brasil” é um exemplo emblemático que ilustra tais questões— imagem que foi fixada como marco inaugural em selos, livros didáticos e documentos oficiais — instaurando não apenas um registro ficcional, mas o próprio imaginário colonial de que é tudo um só território (o selo de Moçambique, ao possuir a imagem da Missa no Brasil, instaura assim um imaginário de que é “tudo nosso”, confundindo as diferenças geográficas e culturais das distintas colonias).

Bianca Turner
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